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Amazônia desacelera, Cerrado acelera

  • há 17 horas
  • 4 min de leitura

O Brasil começa 2026 com um cenário ambiental que mistura avanço e alerta. De um lado, a Amazônia registra seu segundo menor índice de desmatamento para o primeiro trimestre desde o início da série histórica recente. Do outro, o Cerrado segue na direção oposta com um aumento significativo na perda de vegetação nativa. Essa dualidade não é apenas uma questão ambiental. É um sinal direto para o mercado, para cadeias produtivas e para empresas que estão ou deveriam estar atentas à agenda ESG.



Amazônia: O risco atmosférico


Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, por meio do sistema DETER, mostram que cerca de 400 km² de floresta foram desmatados entre janeiro e março de 2026 uma redução de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado reforça a eficácia de políticas públicas mais rígidas, maior fiscalização e pressão internacional por cadeias produtivas livres de desmatamento.


O desmatamento é o processo de remoção da vegetação nativa, geralmente para dar lugar a atividades como agropecuária, mineração, infraestrutura ou expansão urbana. No caso da Amazônia, esse fenômeno ganhou escala a partir da década de 1970, impulsionado por políticas de ocupação territorial, abertura de rodovias e incentivos econômicos para exploração da região.


Desde então, o bioma passou por ciclos de alta e queda nas taxas de desmate, com picos críticos nos anos 2000, seguidos por uma redução significativa até 2012, graças a ações de monitoramento e fiscalização mais intensas. Nos últimos anos, no entanto, os índices voltaram a oscilar, refletindo mudanças políticas, pressões econômicas e desafios estruturais na governança ambiental, mantendo o tema no centro das discussões climáticas globais.


O ponto crítico dessa redução significa que ela não resolve o problema. A Amazônia continua sendo um dos principais reguladores climáticos do planeta. Estudos indicam que o bioma armazena cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono e sua degradação pode transformar esse “sumidouro” em uma fonte líquida de emissões.


Cerrado: O risco hidrográfico


Enquanto os holofotes estão na Amazônia, o Cerrado vive um cenário mais preocupante. O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e é conhecido como a savana mais biodiversa do mundo, abrigando uma rica variedade de espécies de fauna e flora adaptadas a períodos de seca e solos naturalmente pobres em nutrientes. Ele ocupa cerca de 24% do território nacional, abrangendo principalmente a região Centro-Oeste, mas também se estendendo por partes do Sudeste, Norte e Nordeste, incluindo estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Maranhão e o Distrito Federal. Além de sua biodiversidade, o Cerrado desempenha um papel estratégico para o país por concentrar nascentes de importantes bacias hidrográficas, sendo essencial para a segurança hídrica e o equilíbrio climático do Brasil.


Já foram 1.466 km² desmatados no mesmo período, um aumento de 15% em relação a 2025 e o segundo pior resultado da série histórica. Isso acontece por alguns fatores estruturais como o menor nível de proteção legal em comparação à Amazônia. A forte expansão do agronegócio (especialmente soja e pecuária) em contraste com a menor pressão internacional sobre cadeias produtivas originadas no bioma.


O Cerrado não é “apenas” uma savana. Ele é responsável por abastecer algumas das principais bacias hidrográficas do Brasil, sendo conhecido como o “berço das águas”. Sem Cerrado, não há segurança hídrica. Essa simbiose entre Amazônia e Cerrado tem sérias repercussões:


  • A Amazônia pode atingir um tipping point com cerca de 20–25% de desmatamento acumulado

  • O Cerrado já perdeu mais de 50% de sua vegetação nativa

  • A alteração no uso do solo já representa uma das principais fontes de emissões no Brasil

  • O desmatamento está diretamente ligado ao aumento de gases de efeito estufa, principalmente CO₂, contribuindo para o aquecimento global.


Por que isso afeta diretamente os negócios


Como destacou Beto Mesquita, diretor da Conservação Internacional Brasil:


“Estamos perdendo áreas fundamentais para o equilíbrio climático e para as chuvas que abastecem regiões produtivas.”


Esse ponto é crucial para empresas. A destruição desses biomas impacta diretamente três pontos ambientais:


1. Regime de chuvas: A Amazônia e o Cerrado estão conectados pelos chamados “rios voadores”, massas de vapor que regulam chuvas em regiões agrícolas e industriais do Brasil. Quanto mais florestas forem desmatadas, menos chuvas ocorreram, aumentando o risco operacional.


2. Cadeias produtivas: Setores como: Agronegócio, energético (especialmente hidrelétrica), alimentício, bebidas, papel e celulose dependem diretamente da estabilidade climática.


3. Riscos ESG e reputacionais: Investidores e mercados internacionais estão cada vez mais atentos ao desmatamento indireto na cadeia de valores, ou seja, cuidado com quem se relaciona. Além da falta de rastreabilidade e ausência de metas climáticas.



Empresas que não se adaptam vão enfrentar perda de acesso aos mercados, restrições comerciais e desvalorização de marca. Diante desse contexto, o setor privado deixa de ser espectador e passa a ser protagonista. Empresas podem atuar de forma concreta em três frentes:


✔️ Medição e compensação de carbono


Inventários de emissões e estratégias de neutralização deixam de ser diferencial e passam a ser requisito. Como na certificação Carbono Neutro, o levantamento é feito sob metodologia validada pela ABNT Ambiental, neutralizando créditos com rastreabilidade.


✔️ Cadeias produtivas rastreáveis


Garantir que fornecedores não estejam ligados ao desmatamento é uma exigência crescente de mercado. Assim como consultar o CNPJ de empresas parceiras e buscar se relacionar com marcas que tenham os mesmos valores ambientais.


✔️ Certificações ambientais


Selos e certificações funcionam como:

  • Prova de compromisso ambiental

  • Ferramenta de diferenciação

  • Instrumento de transparência


Além disso, ajudam empresas a se posicionarem de forma estratégica frente às exigências ESG. A certificação Empresa Consciente ESG além do posicionamento, oferece respaldo com assessorias, materiais de apoio, comunicação verde e métricas para construção de um relatório de sustentabilidade:



Mais do que tendência, é uma mudança estrutural


O cenário atual mostra que não basta olhar apenas para indicadores positivos isolados. A queda no desmatamento da Amazônia é uma conquista importante, mas o avanço no Cerrado revela que o desafio é sistêmico.


Para empresas, isso significa uma coisa: Sustentabilidade não é mais discurso. É gestão de risco, eficiência operacional e posicionamento de mercado. O Brasil está no centro da agenda climática global e os dados de desmatamento reforçam isso.


Há avanços, mas ainda insuficientes, o que faz esses riscos migrarem da maior floresta do mundo para outros biomas correlacionados. O impacto disso já chega ao ambiente de negócios, por isso uma gestão sustentável não é um investimento que previne e otimiza, dando lucro ao longo prazo. Empresas que entendem esse movimento saem na frente. As que ignoram, ficam expostas.


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