Plástico PET que recicla CO₂: O material BAETA
- Gaia

- há 4 dias
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Pesquisadores da Universidade de Copenhague (Dinamarca) desenvolveram uma técnica capaz de transformar resíduos de PET (polietileno tereftalato), o plástico popularmente usado em garrafas descartáveis, embalagens e tecidos. Com essa nova tecnologia, o plástico PET passaria a ser um material que captura dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e de gases industriais, abrindo uma nova frente na luta contra as mudanças climáticas.

O que é e como funciona a tecnologia
O processo começa com resíduos plásticos PET que, em vez de serem enterrados em aterros ou contaminarem ecossistemas em microplásticos, são quimicamente “upcycled” (quimicamente transformados em algo de maior valor). A técnica usa etilenodiamina, um composto conhecido por sua forte afinidade química por CO₂, para reagir com o PET e produzir um novo material chamado N¹,N⁴-bis(2-aminoetil) tereftalamida, abreviado como BAETA.
Esse material pode ser transformado em pó ou pellets, com uma superfície especialmente adaptada para quimiossorver dióxido de carbono tanto em ambientes de baixa concentração (como o ar ambiente) quanto em fluxos mais ricos em CO₂ (como saídas de chaminés industriais).
Transformar o plástico PET em um comedor de Gases de Efeito Estufa já é uma façanha, mas o BAETA iria além disso, agregando propriedades especiais:
O material é termicamente estável acima de 250 °C, permitindo operação em ambientes industriais de alta temperatura sem degradar rapidamente.
O CO₂ ligado pode ser liberado por aquecimento moderado (cerca de 150 °C), concentrando o gás para armazenamento geológico ou uso industrial (como produção de combustíveis sintéticos).
Em testes de ciclos de captura e liberação, o desempenho se mantém robusto após dezenas de ciclos, o que indica durabilidade e repetibilidade industrial.
Por que isso é relevante para o clima e o lixo plástico
O plástico PET é um dos polímeros mais produzidos no mundo e representa uma parcela significativa do lixo plástico global, que tende a persistir por séculos no meio ambiente. Segundo dados de pesquisas correlatas, apenas cerca de 9% de todo o plástico produzido globalmente é reciclado de forma eficiente; o restante é incinerado, descartado em aterros ou disperso em ecossistemas.
Transformar esse resíduo em um capturador de CO₂ ataca os dois maiores problemas ambientais de uma só vez:
Redução de resíduos plásticos ao oferecer um destino útil para PET de baixa qualidade ou misturado que normalmente não entra na reciclagem.
Mitigação das emissões de Gases de Efeito Estufa, ajudando a retirar CO₂ diretamente do ar ou de fluxos industriais.
Pesquisadores observam que essa abordagem pode criar incentivos econômicos para recolher plásticos dispersos em oceanos e solos, criando valor a partir do que antes era apenas um passivo ambiental.
Comparações com outras tecnologias de captura de carbono
Atualmente, a maioria dos sistemas CCS industriais usa solventes líquidos como monoetanolamina (MEA) que absorvem CO₂, mas esses sistemas têm desafios como alto consumo de energia para regeneração e degradação química ao longo do tempo.
Em comparação, o BAETA, podemos encontrar alguns benefícios que essa nova técnica proporciona em relação aos métodos atuais:
É sólido, evitando muitos problemas de corrosão e toxicidade de soluções líquidas;
Possui capacidade competitiva de sorção, especialmente sob condições de presença de água e em faixas variadas de concentração de CO₂, uma vantagem em aplicações reais;
Opera em temperaturas elevadas com estabilidade, o que é crucial em saídas industriais quentes.
Esses atributos fazem de BAETA um candidato atrativo frente a outros sorventes sólidos e líquidos, especialmente em aplicações onde a robustez e reusabilidade são essenciais.
Os Gases de Efeito Estufa (GEE) dos quais o carbono faz parte, são um dos maiores problemas e preocupações do meio empresarial, que aos poucos vem ficado em voga. A certificação Carbono Neutro da Gaia Certificadora Ambiental aborda esse problema, propondo uma solução de cálculo e compensação das emissões anuais de uma empresa. É ficar a frente da juridição e destacar-se como responsável por suas emissões, diferente do BAETA, que ainda está em estudo, é uma solução que surte efeito imediato em relação às necessidades corporativas.
Desafios da tecnologia BAETA
Apesar das oportunidades, a tecnologia ainda está em estágios de desenvolvimento pré-industrial. Nesse meio tempo, é necessário focar em outras soluções, como o Carbono Neutro e o Zero Resíduo para diminuir os impactos ambientais. Os atuais desafios do BAETA incluem:
Escalação da produção de BAETA de toneladas a partir de resíduos plásticos;
Avaliação completa da pegada ambiental do processo químico para garantir que, no balanço total, haja uma redução real líquida de emissões;
Viabilidade econômica da instalação de sistemas de captura em uma variedade de plantas industriais.
Os autores do estudo apontam que, se esses obstáculos forem superados, essa solução pode não só reduzir a poluição plástica, mas também fazer parte das estratégias tecnológicas para atingir metas climáticas globais de neutralidade de carbono, contribuindo de maneira pragmática para um futuro mais limpo.
Como titãs de Gaia, repensar processos e buscar alternativas inovadoras, é parte do compromisso com a sustentabilidade. Acompanhar estudos como esse proporciona a diversificação das estratégias ecológicas.



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