Copa do Mundo 2026: Sustentabilidade no campo
- 13 de jul.
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A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história como a maior edição já realizada pela FIFA. Pela primeira vez, o torneio reuniu 48 seleções, foi disputado em três países (Estados Unidos, Canadá e México) e utilizou 16 cidades-sede, ampliando significativamente sua escala operacional.
Um evento dessa dimensão naturalmente levanta uma questão importante: é possível realizar uma Copa do Mundo de forma sustentável? Ainda mais considerando a abrangência mundial que ela toma, envolvendo inúmeros vôos internacionais e múltiplos eventos com centenas de torcedores.
A resposta não é simples. Embora a organização tenha adotado iniciativas relevantes para reduzir os impactos ambientais e sociais do torneio, especialistas apontam que o aumento da escala do evento também ampliou desafios relacionados às emissões de carbono, aos deslocamentos internacionais e ao consumo de recursos.

O que foi planejado em termos de sustentabilidade?
Antes mesmo do início da competição, a FIFA publicou sua Estratégia de Sustentabilidade e Direitos Humanos para a Copa do Mundo 2026, estabelecendo diretrizes para os pilares ambiental, social, econômico e de governança. Entre os principais compromissos estavam:
utilização de estádios já existentes, reduzindo a necessidade de novas construções;
incentivo à gestão adequada de resíduos e ampliação das ações de reciclagem;
programas de compras mais sustentáveis;
ações voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa;
fortalecimento de iniciativas relacionadas aos direitos humanos, acessibilidade e legado para as cidades-sede.
Um dos pontos positivos foi justamente o aproveitamento da infraestrutura existente. Diferentemente de outras edições que exigiram grandes obras, a maior parte das partidas ocorreu em arenas já utilizadas por equipes profissionais, reduzindo impactos associados à construção civil. Em vez de construir novas arenas em larga escala, a organização priorizou a modernização e adequação de estruturas consolidadas, reduzindo significativamente os impactos ambientais associados à construção civil, como o consumo de concreto, aço, água e energia. Essa estratégia também contribui para diminuir o risco de criação dos chamados "elefantes brancos", estádios construídos exclusivamente para o evento e pouco utilizados após seu encerramento.
Além disso, a FIFA promoveu programas ambientais paralelos, como iniciativas de plantio de árvores nas cidades-sede e ações de conscientização voltadas à sustentabilidade e ao impacto social do esporte.
Estratégia Sustentável que marcaram Gol na Copa do Mundo
A estratégia de sustentabilidade também contemplou medidas voltadas à eficiência energética. Em diversas sedes, a utilização de arenas modernas permitiu incorporar tecnologias de iluminação mais eficiente, sistemas inteligentes de gerenciamento predial e, em alguns casos, o fornecimento de energia proveniente de fontes renováveis disponíveis nas redes locais. Embora a adoção varie entre as cidades-sede, essas iniciativas representam um avanço importante para reduzir o consumo energético durante o torneio.
A gestão de resíduos também integrou as diretrizes de sustentabilidade da competição. Entre as ações previstas estiveram a ampliação da coleta seletiva, o incentivo à reciclagem e a redução do envio de resíduos para aterros sanitários. Em eventos dessa magnitude, a correta separação dos materiais recicláveis e a destinação adequada dos resíduos representam uma oportunidade importante para diminuir impactos ambientais e fortalecer a economia circular.
Outro compromisso adotado foi incentivar a participação de fornecedores e produtores locais na cadeia de suprimentos do evento. Essa iniciativa contribui para reduzir parte das emissões relacionadas ao transporte de mercadorias, além de fortalecer a economia das cidades-sede e estimular negócios comprometidos com práticas sustentáveis.
Além da operação do evento, a inovação também esteve presente nos equipamentos esportivos. A bola oficial foi desenvolvida com materiais sintéticos de alto desempenho e componentes de origem mais sustentável em comparação com gerações anteriores, além de incorporar sensores eletrônicos que auxiliam na arbitragem sem comprometer sua performance. O investimento em materiais e tecnologias demonstra como a inovação pode contribuir para tornar grandes eventos esportivos cada vez mais eficientes também sob a perspectiva ambiental.
O cartão amarelo na atenção da ecologia da Copa
Apesar dos avanços, afirmar que a Copa de 2026 foi uma competição "ecológica" seria uma simplificação. A própria dimensão do torneio trouxe novos desafios ambientais que, apesar das iniciativas, dificilmente mitigam à ação humana.
O aumento de 32 para 48 seleções elevou o número de partidas para 104 jogos, distribuídos por um território continental. Isso significa mais viagens aéreas para delegações, equipes técnicas, imprensa e milhões de torcedores, fator que representa uma parcela significativa da pegada de carbono de grandes eventos esportivos.
Além disso, especialistas destacam que a compensação de emissões, embora importante, não substitui a necessidade de reduzir efetivamente os impactos na origem. Em outras palavras, neutralizar carbono é relevante, mas evitar emissões continua sendo a estratégia mais eficaz.
Essa é uma discussão cada vez mais presente no universo ESG: sustentabilidade não pode ser baseada apenas em compensações, mas também em planejamento, eficiência operacional e transparência. A Gaia Certificadora Ambiental oferece assessoria com estratégias de redução de emissões da Gases de Efeito Estufa com o Empresa Consciente ESG.
A certificação Carbono Neutro continua sendo uma excelente escolha para neutralização, com metodologia validada pela ABNT Ambiental. É realizado o levantamento das emissões do evento ou das atividades anuais da empresa e elas são neutralizadas com créditos homologados. Além do certificado, o selo verde Carbono Neutro auxilia da difusão da conscientização ambiental.
O que ainda pode aumentar o placar?
A Copa de 2026 demonstra que grandes eventos esportivos caminham em direção à sustentabilidade, mas ainda existe espaço para avanços importantes. Entre eles estão:
ampliar a utilização de energia proveniente de fontes renováveis durante toda a operação do evento;
fortalecer programas de mobilidade de baixa emissão para torcedores;
reduzir ainda mais os resíduos descartáveis gerados durante as partidas;
publicar indicadores ambientais detalhados e auditáveis após o encerramento da competição;
ampliar mecanismos de rastreabilidade para projetos de compensação de carbono utilizados pelo evento.
Essas medidas contribuem para aumentar a transparência e permitem que o impacto ambiental seja acompanhado de forma objetiva, fortalecendo a confiança da sociedade e do mercado.
O legado vai além da taça de futebol
Independentemente dos resultados dentro de campo, a Copa do Mundo reforça uma mensagem importante: grandes organizações já compreendem que sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar parte da gestão.
Hoje, empresas, eventos e instituições são cada vez mais cobrados por demonstrar, com dados e critérios técnicos, como reduzem seus impactos ambientais.
É justamente nesse cenário que conceitos como rastreabilidade, inventários de emissões, gestão de resíduos, certificações ambientais e compensação responsável ganham relevância. Mais do que realizar ações sustentáveis, é necessário comprovar que elas geram resultados.
No ambiente corporativo, essa lógica já faz parte das práticas ESG mais maduras. E, aos poucos, também passa a orientar a organização dos maiores eventos do planeta. A Copa do Mundo de 2026 mostra que houve avanços importantes na incorporação da sustentabilidade ao planejamento do torneio. No entanto, também evidencia que, quanto maior o evento, maior deve ser o compromisso com métricas, transparência e melhoria contínua.
A sustentabilidade não é um destino alcançado. É um processo permanente de evolução.



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