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El Niño 2026: Efeitos do clima extremo até 2027

  • há 3 horas
  • 5 min de leitura

O Brasil está entrando em uma segunda metade de 2026 que exige atenção. O fenômeno El Niño, confirmado em junho, vem ganhando força e pode permanecer atuando até pelo menos março de 2027. Mais do que uma alteração nas condições do Oceano Pacífico, o fenômeno modifica padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país e pode aumentar a ocorrência de eventos extremos.


Nesse período, ocorrem extremos efeitos climáticos, ocasionados pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo a NOAA, existe mais de 90% de probabilidade de que o atual episódio alcance intensidade muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, com possibilidade de estar entre os eventos mais intensos registrados desde 1950.


No Brasil, os efeitos não serão iguais em todas as regiões. Historicamente, o El Niño tende a favorecer chuvas acima da média no Sul, enquanto aumenta o risco de períodos mais secos e quentes no Norte e no Nordeste. As previsões conjuntas do INPE, INMET, CEMADEN, ANA e outros órgãos indicam justamente esse contraste para os próximos meses: maior volume de chuva em áreas do Sul e condições mais secas no centro-norte do país, acompanhadas de temperaturas acima da média em grande parte do território. E é justamente aí que surge uma das maiores preocupações: as queimadas.



Mais calor e menos chuva: favorável para queimadas


Entre agosto e outubro, o risco de incêndios florestais tende a aumentar principalmente na Amazônia, no Cerrado e em parte do Centro-Oeste. O Ministério do Meio Ambiente já alertou para a combinação entre temperaturas elevadas, menor disponibilidade de umidade e condições favoráveis à propagação do fogo.


Isso não significa que o El Niño seja responsável sozinho pelas queimadas. O fogo também está relacionado ao uso da terra, atividades agropecuárias, desmatamento e, em muitos casos, ações humanas criminosas. O fenômeno climático atua como um amplificador do risco: quando a vegetação está mais seca e as temperaturas estão elevadas, uma fonte de ignição encontra condições muito mais favoráveis para se transformar em um incêndio de grandes proporções.


Os números mostram que o problema está longe de ser pequeno. O MapBiomas registrou 12,7 milhões de hectares queimados no Brasil em 2025. Embora esse número tenha representado uma queda de 31% em relação à média histórica e uma redução expressiva em relação a 2024, 64% das áreas que queimaram desde 1985 já foram atingidas pelo fogo mais de uma vez.


Com um El Niño forte ou muito forte se estendendo até 2027, a capacidade de prevenção e resposta aos incêndios passa a ser também uma questão econômica.


Quando o clima afeta o bolso


Uma seca prolongada ou um incêndio florestal não termina quando as chamas são apagadas. Seus efeitos podem chegar às lavouras, ao abastecimento de água, à geração de energia, ao transporte, aos seguros e à cadeia de produção.


O setor agrícola é particularmente sensível. Alterações no regime de chuvas podem prejudicar o desenvolvimento de determinadas culturas, reduzir produtividade, aumentar custos de irrigação e modificar calendários de plantio e colheita. Já o excesso de chuva em outras regiões pode provocar perdas, doenças nas plantações e dificuldades logísticas. O próprio CEMADEN alerta para impactos potenciais do El Niño sobre agricultura, pastagens e disponibilidade hídrica.


Esse impacto já começa a aparecer nas estratégias empresariais. Um levantamento recente com companhias do Ibovespa mostrou que empresas de agronegócio, logística, transporte e seguros estão avaliando riscos relacionados a quebra de safra, aumento da inadimplência, sinistralidade e alterações na demanda. Ou seja: mudança climática também é risco financeiro. Isso já não é novidade nenhuma para quem acompanha as pautas ambientais.


E onde entra a reforma tributária?


A discussão fica ainda mais interessante quando observamos a reforma tributária brasileira sob a perspectiva ambiental. A partir de 2027, entra em vigor o Imposto Seletivo (IS), criado, entre outras finalidades, para desestimular o consumo de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.


Ao mesmo tempo, um estudo recente publicado no Journal of Environmental Economics and Management estima que as mudanças previstas na reforma poderão elevar em 1,7% as emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo doméstico brasileiro. O cálculo representa aproximadamente 10,2 milhões de toneladas adicionais de CO₂ equivalente, principalmente em razão de mudanças na tributação de alimentos de origem animal, combustíveis e energia.


Isso revela uma questão importante para as empresas: a sustentabilidade está deixando de ser apenas uma escolha reputacional e passando a fazer parte da gestão de riscos, custos e competitividade.


Aí entra o fato de governança do ESG, onde cada passo deve ser respaldado sobre uma fundação estável para evitar deslizamentos. Neste caso, ter o respaldo de certificações ambientais, como a Empresa Consciente ESG, que oferece assessoria nas ações socioambientais, se torna um diferencial competitivo.



Sustentabilidade precisa ser medida


Em um cenário de maior instabilidade climática, não basta afirmar que uma empresa é sustentável. É cada vez mais importante saber qual é o seu impacto, onde ele está e o que pode ser melhorado.


É nesse ponto que entram ferramentas como inventários de emissões, gestão de resíduos, eficiência energética, rastreabilidade e práticas ESG.


Uma certificação ambiental pode ajudar a transformar ações dispersas em um processo estruturado, com critérios, evidências e metas. Na prática, isso permite que a empresa deixe de tratar sustentabilidade apenas como uma ação de comunicação e passe a incorporá-la à sua gestão.


Na Gaia Certificadora Ambiental, esse processo pode ser desenvolvido por diferentes caminhos: da estruturação de práticas ESG à certificação de Carbono Neutro, Energia Limpa, Ecoproduto e Zero Resíduo, de acordo com as características e necessidades de cada negócio.


O objetivo não é apenas colocar um selo na embalagem ou no site. É criar mecanismos para que a empresa consiga reduzir impactos, comprovar suas práticas e comunicar seus resultados com mais credibilidade.



O clima está mudando e as empresas também precisam mudar


O El Niño de 2026–2027 é um lembrete de que os riscos ambientais não estão separados da economia. Uma alteração na temperatura do oceano pode chegar à lavoura. A seca pode chegar à conta de energia. Uma queimada pode afetar uma cadeia produtiva. Uma mudança tributária pode alterar o custo ambiental de determinados produtos.

Para as empresas, antecipar esses movimentos pode significar reduzir perdas, identificar oportunidades e fortalecer sua posição em um mercado que exige cada vez mais transparência.


O cenário climático não está sob controle de uma única empresa. Mas o impacto que cada negócio produz e a forma como ele se prepara para os riscos ambientais estão, em grande parte, sob sua responsabilidade.


Em 2026, falar de sustentabilidade é falar também de planejamento, competitividade e continuidade dos negócios. E, diante de um El Niño que pode acompanhar o Brasil até 2027, preparar-se para um clima mais instável não é apenas uma questão ambiental. É uma decisão estratégica.


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